Em meio aquele engarrafamento de mais de 1 hora, naquele aperto, um aroma agradável à todos ainda assim é possível conversar. tem gente que conta a vida inteirinha em uma simples hora de engarrafamento...
DIÁLOGO DE DUAS PESSOAS PRESAS NUM ENGARRAFAMENTO.
(Usarei os nomes: Shirleyde e Jandiara)
Shirleyde: Ave Maria, tá um engarrafamento danado né?
Jandiara: Nem me lembre, porque já era pra eu tá em minha casa. Imagine aí que eu tinha que fazer o café pra meu filho ir alimentado pra escola.
Shirleyde: Ô Jesus, que demora...
Jandiara: Agora vc imagine, eu uma mãe de família presa neste engarrafamento. Porque eu tenho 2 filha mulhé e 1 filho homem. Minha filha mulher mais velha faz um curso de "infermagy". Trabalha o dia todinho nas butique na Av. Sete. A outra só estuda e meu minino trabalha de segurança de dia e de noite estuda lá no centro. E tu faz o que?
Shirleyde: Eu? Trabalho feito uma condenada, lá no centro. Fico gritando DESBLOQUEEEEIIO, A PARTIR DE R$ 5,00. E de noite faço comida. tenho uma fia piquena de 8 anos. Meu marido sumiu no mundo. Mas a senhora sabe, antes só que mal acompanhada num é?
Jandiara: Pois é. Graças a Deus que sou viúva. Só reclamo de ficar na rua até tarde, porque meus fio saem de noite e eu gosto de q eles saiam tomado café.
Shirleyde: Txiau viu minha filha. Chegou meu ponto.
Jandiara: Txiaau nega!
...É sempre assim, as pessoas mesmo com o aperto ainda fazem amizade, e no final nem o nome uma da outra ficam sabendo. Conversam na maior intimidade e altura, porque quem está no ônibus ouve tudo direitinho nos mínimos detalhes.
ô ônibus roda a cidade toda, para, pega gente, mais gente engarrafa denovo e assim acontece todos os dias.